Biocompatibilidade

 Biocompatibilidade é uma palavra que é amplamente utilizado na ciência dos biomateriais , mas ainda existe uma grande dose de incerteza sobre o que realmente significa e sobre os mecanismos que estão incluídos no âmbito dos fenômenos que constituem coletivamente biocompatibilidade . Anteriormente biocompatibilidade foi definida como a capacidade de um material apresentar uma resposta apropriada ao hospedeiro numa situação específica (BLACK, 1999).  No início este foi um poderoso indicativo de que biomateriais tem que executar uma função, e só pode fazê-lo se invocar uma resposta dos tecidos ou componentes de tecidos, que estão em contato, ou seja , pelo menos , compatível com a função. A definição atual de biocompatibilidade  refere-se à capacidade de um biomaterial de desempenhar  sua função desejada no que diz respeito a uma terapia médica, sem induzir quaisquer efeitos locais ou sistémicos indesejáveis ​​no destinatário ou do beneficiário que a terapia , mas gerando uma resposta celular adequada e benéfica ao tecido específico e otimizar o desempenho clinicamente relevante do que a terapia (WILLIANS, 2008).

O termo reflete o contínuo desenvolvimento de estudos sobre como biomateriais podem interagir com o corpo humano e, finalmente, como essas interações determinam o sucesso clínico de um dispositivo médico como próteses ortopédicas e outros. O grau de biocompatibilidade depende da estabilidade de um material ao longo do tempo, a tendência de causar inflamação ou doenças como câncer (KAMMULA et al., 2001).

A resposta imunitária e as funções de reparação no organismo são processos complexos e a investigação da biocompatibilidade de um único material em relação a um único tipo de célula ou tecido, não é adequado. Na maioria das vezes é necessária a realização de uma enorme gama de teste de biocompatibilidade envolvendo ensaios in vitro e in vivo (MULLER, 2008).

Uma vez que a realização dos testes in vitro esteja terminada, os testes biológicos in vivo podem ser realizados com base na utilização pretendida do dispositivo. Este teste pode variar de ensaios de irritação cutânea até de hemocompatibilidade e testes com implantes subcutâneos. O tempo de resposta para ensaios pode variar de três semanas até vários meses, dependendo dos testes específicos necessários. Testes de implantação subcrônica ou crônica podem durar ainda mais tempo (PARK et al., 2007).

A norma ISO 10993-1: “General Principles” é o principal ponto de partida para a avaliação da biocompatibilidade, a qual apresenta os princípios fundamentais que governam a avaliação biológica de biomateriais e dispositivos biomédicos, descrevendo três categorias para tais avaliações: testes de extração, testes de contato direto e testes de contato indireto.

O objetivo da realização dos testes de biocompatibilidade é determinar a aptidão de um dispositivo para uso humano, e para avaliar se o uso deste dispositivo pode ter efeitos fisiológicos potencialmente nocivos. O objetivo principal desta parte da ISO 10993 é a proteção dos seres humanos a partir de potenciais riscos biológicos decorrentes da utilização de dispositivos médicos (ISO 10993-1, 2009).

Os testes de biocompatibilidade para desenvolvimento de um novo material incluem várias etapas desde testes in vitro a testes in vivo (OREFICE et al., 2005). Estes testes são realizados de acordo com as normas da ANVISA que seguem a descrição da ISO 10993-3, 10993-5 e 10993-6.

Por este motivo, neste trabalho todas as orientações descritas na ISO 10993-1 foram seguidas, quanto ao tipo celular, períodos de contato, testes de avaliação, entre outros.


* Extraído de "Estudos Sistemáticos de Biocompatibilidade e Potencial Osteogênico de Membranas Bioativas em Coelhos Machos", Tese de Juliana Ferreira Floriano, 2013. 

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