Testes in vivo de bioatividade

 Importantes avanços foram feitos no campo dos biomateriais ao longo dos últimos anos, sendo que a maioria destes avanços foi associada com o processamento de materiais biologicamente ativos. A bioatividade se refere à propriedade inerente a alguns materiais de participarem em reações biológicas específicas. O termo bioatividade é definido como sendo a propriedade de formar tecido sobre a superfície de um biomaterial e estabelecer uma interface capaz de suportar cargas funcionais (DUCHEYNE E KOHN, 1992).

Como mencionado anteriormente, a BN apresenta bioatividade e é eficaz em situações de reparo tecidual, promovendo angiogênese, neoformação tecidual, óssea entre outros. Para elucidar o efeito bioativo da BN, Mendonça et al. (2004) estabeleceram uma relação entre a atividade do soro extraído da BN e o aumento da permeabilidade vascular, angiogênese e cicatrização de feridas. Concluíram que a fração do soro produz ativamente a neovascularização e aumenta a permeabilidade vascular. Esses efeitos não foram observados quando a fração do soro foi aquecida a 100°C ou tratada com enzima proteolítica proteinase K, levando a supor que um composto de polipeptídeo poderia ser o responsável pela bioatividade. O soro natural da BN associado ao gel de carboximetilcelulose foi aplicado em úlceras dérmicas de coelhos, acelerando o processo de cicatrização, com intensidade semelhante à observada quando da aplicação de alguns fatores de crescimento.

De acordo com Ferreira et al. (2009), a fração bioativa da BN é formada pelos constituintes não borracha, e as cadeias de poli-isopreno não são o principal responsável pela bioatividade do material. É indicado que a fração ativa extraída da BN deve ser incorporada em outros sistemas, tais como filmes finos de polímeros para melhores resultados na reparação tecidual.

Issa et al. (2010), extraíram a proteína denominada P1 do soro de BN, por cromatografia gasosa. A P1 foi testada em defeitos críticos em ratos, onde verificou-se um efeito positivo da proteína P1, quando associada ao gel de mooleina.

A BN é uma mistura rica em substâncias orgânicas, que incluem muitas proteínas diferentes que compreendem cerca de 1% a 1,5% do sistema. A maior parte destas proteínas é removida quando a BN é processada nos seus produtos, mantendo-se apenas uma pequena fração dos produtos denominados EPs (FERREIRA et al., 2009). Portanto, para a obtenção de melhores resultados em biomateriais à base de BN são necessários vários cuidados, que vão desde a coleta do material até seu processamento final, com a finalidade de se evitar a degradação das proteínas responsáveis pela sua bioatividade.


* Extraído de "Estudos Sistemáticos de Biocompatibilidade e Potencial Osteogênico de Membranas Bioativas em Coelhos Machos", Tese de Juliana Ferreira Floriano, 2013.

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