A partir dos resultados positivos verificados nos estudos utilizando modelos animais, ficou claro que a membrana de BN apresenta potencial de reparação tecidual e biocompatibilidade. Por estes motivos, foram desenvolvidos estudos em humanos, onde a membrana foi utilizada como material indutor de neoformação tecidual, tendo sido aplicada em pacientes com úlceras crônicas de membros inferiores. Apresentando excelentes resultados, onde foi verificado que a BN é capaz de induzir a formação de novos vasos sanguíneos, ou seja, induzir a angiogênese na superfície em que foi aplicada, favorecendo a regeneração de tecidos (ERENO, 2003).
Com base nestes
estudos surgiu a empresa Pele Nova, uma empresa de produtos médicos para
regeneração e cicatrização da pele. O produto patenteado pela empresa leva o
nome de Biocure®, uma membrana produzida a partir de BN. O Biocure® é utilizado
em úlceras crônicas diabéticas, vasculares, de pressão (escaras de decúbito),
pós-cirúrgicas ou traumáticas, sendo capaz de acelerar a regeneração tecidual,
auxiliando feridas que demoram meses, até anos, a cicatrizar em um curto
período de tempo. Atualmente a empresa lançou no mercado outro produto
inovador, que é um gel à base de BN, denominado de Regederme®, que apresenta os
mesmos efeitos benéficos que o Biocure®, porém é de mais fácil manuseio,
permitindo que o próprio paciente possa ministrar sua aplicação, diferentemente
do Biocure®, que necessitava de auxilio médico ou de enfermagem para sua
aplicação (PELE NOVA, 2013).
Oliveira et al.
(2003) utilizaram a membrana de BN com polilisina como implante transitório, para
o fechamento da perfuração da membrana timpânica, em 238 pacientes com
perfuração desta membrana ocorrida por sequela de otite média crônica. Os
pesquisadores observaram a interação do material e a biocompatibilidade, e
concluíram que a membrana de BN promove a neovascularização e apresenta grande
potencial para uso como implante transitório em miringoplastias . Foi verificada
a exuberante vascularização e hiperemia do enxerto e da membrana timpânica
remanescente. Também foi verificado o fechamento da perfuração em 90,5% dos
pacientes, sendo que o tempo médio de fechamento foi de 28 dias. Após o período
de dois meses as membranas timpânicas já se apresentavam normais.
Em estudos de
timpanomastoidectomia, Sousa et al. (2007) avaliaram, em 64 pacientes, o
desempenho da membrana de BN como uma interface entre o osso cruento e o
material de tamponamento, analisando seu papel na epitelização da neocavidade.
Foi observado biocompatibilidade do material nos pacientes onde a membrana foi
utilizada e epitelização mais precoce da neocavidade, com a presença de fibrina
a partir do 14º dia.
A
membrana de BN foi utilizada em ferida pósexenteração orbitária por carcinoma
basocelular em paciente de sexo masculino, com o objetivo de estimular a
cicatrização da cavidade orbitária. Os
pesquisadores concluíram que a granulação da cavidade orbitária com o uso da
membrana não mostrou-se satisfatória aos resultados esperados. Possivelmente
este resultado negativo pode ser devido a grande área em que a BN foi aplicada
para que promovesse a granulação ou que a própria membrana não seja capaz de promover
esta granulação (FUJIMOTO et al., 2007).
A partir dos estudos de reparação
tecidual, pesquisadores iniciaram uma nova área de pesquisa, utilizando a
membrana de BN na regeneração óssea de defeitos em tíbia de coelhos. Silva et
al. (2006) propuseram o desenvolvimento de filmes de BN e BN-modificada com
proteínas indutoras da osteogênese, para utilização como membrana oclusiva em
experimentos de regeneração óssea guiada. Como resultado foi verificado que a
membrana atua como uma barreira mecânica, impedindo a invasão de tecido epitelial
no local da lesão óssea, o que dificultaria sua cicatrização. A BN- modificada,
além da barreira mecânica, atuou como liberadora gradativa de substâncias com potenciais
osteogênicos. Nestes estudos os pesquisadores concluíram que a BN é um excelente
candidato ao processo de cicatrização óssea, apresentando biocompatibilidade e
acelerando o processo de reparo, fato que pode ser explicado pelo seu potencial
angiogênico, além de apresentar ótima flexibilidade e resistência mecânica que
contribuíram para o bom desempenho da membrana neste tipo de aplicação.
Em estudos de regeneração óssea guiada e membrana
oclusiva, por meio de defeitos críticos em crânio de coelhos, Ereno et al.
(2007) concluíram que animais
tratados com a membrana de BN não apresentaram reação inflamatória de corpo
estranho. Desse modo, a membrana pode ser considerada um biomaterial promissor
para futuras aplicações na regeneração óssea guiada.
Martins et al.
(2010) mostraram em estudo de regeneração óssea guiada, que o uso de membranas à base de
BN neste tipo de processo cirúrgico é altamente indicado, pois a membrana forma
barreiras que impedem ou dificultam a migração de células incompatíveis com o
tecido a ser neoformado e promovem a osteogênese. Os animais tratados com tais
membranas apresentaram melhores resultados quando comparados aos tratados com
membranas PTFE, e o grupo que não foi tratado com nenhum tipo de membrana
apresentou pior desempenho, com desorganização do tecido frouxo, que age como
obstáculo para a osteogênese. Desse modo, o emprego de membranas de BN foi
considerado efetivo em processo de regeneração óssea guiada.
A membrana de BN
foi empregada em estudos de ortopedia visando avaliar a aceleração da
formação do osso alveolar, verificando-se a progressiva integração do material ao
osso, concomitantemente com a aceleração da formação óssea e melhora no
processo de cicatrização (BALABANIAN et al., 2006).
Resultados positivos também foram obtidos em
estudos de regeneração óssea por meio de defeitos críticos no crânio de ratos.
Os resultados indicam que possivelmente as membranas podem ser utilizadas no
tratamento de osteoporose, na odontologia e na reconstituição de ossos da face
(ODONTOLÓGIKA, 2003).
Em estudo utilizando domes de titânio e uma malha à base de BN para regeneração
óssea vertical guiada observou-se a formação de osso cortical, perto da parede
do titânio, sendo que não foram observadas áreas de necrose ou inflamação. Os
infiltrados inflamatórios foram verificados em áreas focais e foram
representados por leucócitos, células mononucleares ou polimorfonucleares
dispersas aleatoriamente, que provavelmente eram células remanescentes da fase
aguda da inflamação no pós-operatório. Em todos os grupos experimentais não
foram encontradas células gigantes de corpo estranho, mostrando mais uma vez a
boa biocompatibilidade da BN e seus excelentes resultados na regeneração óssea
(PONS et al. 2013).

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