A alergia é definida como uma reação exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha ao organismo, ou seja, uma hipersensibilidade imunológica a um estímulo externo específico. Envolve a liberação de mediadores dos mastócitos, basófilos e recrutamento de células inflamatórias que inclui sintomas e sinais, isolados ou combinados, que ocorrem em minutos ou em até poucas horas da exposição ao agente causal. As alergias podem ser de intensidade leve, moderada ou grave. A maioria dos casos é de intensidade leve, mas podem apresentar potencial para evolução fatal. A evolução é usualmente rápida, atingindo pico entre 5 e 30 minutos, raramente pode perdurar por vários dias e é mediada especialmente pela Imunoglobulina E (IgE) (KEMP et al., 2002; BERNSTEIN et al., 2008).
A alergia a BN é
um assunto muito discutido nos meios científico e médico, sendo que a maioria
dos processos alérgicos desencadeados por contato com a BN está agrupado em duas
classes de pacientes: trabalhadores da saúde e pacientes que sofreram múltiplos
procedimentos cirúrgicos, como portadores de espinha bífida e problemas
congênitos em órgãos genitais. Existe ainda um terceiro grupo menos estudado,
que inclui pacientes que possuem atopia, ou seja, hipersensibilidade a diversos
fatores ambientais (MEADE et. al., 2002).
A primeira
reação alérgica ao látex foi descrita em 1927, mas somente em 1979 foi relatada
uma reação alérgica mediada por IgE específica para os alérgenos do látex. As
reações alérgicas comumente observadas são urticária generalizada, rinite,
conjuntivite, asma e anafilaxia (LÓPEZ et al., 1995; LATASA et al., 1995; EBO
et al., 1997).
Foram identificadas
diversas proteínas da BN que estão relacionados ao desencadeamento de processos
alérgicos. Dentre estas proteínas estão a heveína ou Hev b1, uma proteína com
peso molecular correspondente a 14,6 Kd. Outro importante alérgeno é a Hev b 3,
proteína com peso molecular de 24 Kd. Estas proteínas são responsáveis pela
produção de IgE específica para o látex sendo reconhecidas por estas células em
pacientes com espinha bífida podendo gerar reações alérgicas com alta
gravidade. Estas proteínas estão situadas na superfície das partículas de
borracha (CHEN et al., 1996; ALENIUS et al., 1996; YEANG et. al., 1998).
Yip et al. (2000),
mostraram que os níveis elevados de proteínas extraíveis residuais (EPs) estão associados a respostas
positivas em testes cutâneos de picadas. O nível de EPs inferior a 400 ug/g,
que está presente em luvas testadas em indivíduos com alergia a BN, mostrou que
60% não apresentaram respostas alérgicas, e em níveis inferiores, cerca de 100 µg/g,
100% não apresentaram respostas alérgicas.
As reações
alérgicas a produtos fabricados a partir de BN e uma grande variedade de borrachas
sintéticas, são conhecidas há muitos anos, mas a grande maioria destas reações
alérgicas é geralmente do tipo IV, que é uma reação retardada, manifestando-se entre
24 e 72 horas após o contato com o antígeno. Estas reações ocorrem por
intermédio dos linfócitos T capazes de identificar determinados antígenos e
reagir à sua presença, levando a lesões inflamatórias nos tecidos que podem ser
irreversíveis (rejeição de transplantes e alergia cutânea). Por este motivo,
estas reações podem estar relacionadas aos resíduos de aceleradores e outros
ingredientes da composição de produtos a base de BN (GOLDSBY, 2003; FERREIRA et
al., 2009).
Os produtos à
base de BN têm sido comercializados em grande escala nos últimos 50 anos, sem
qualquer suspeita grave de risco à saúde de seus usuários. Alguns exemplos de
produtos incluem os bicos mamadeira, fio elástico, luvas, preservativos,
colchões de espuma de borracha, almofadas e adesivos (FERREIRA et al., 2009).
É importante a
realização de testes na BN processada ou não, visto que, a maioria dos estudos
encontrados na literatura foram desenvolvidos á partir de material já
manufaturado, como luvas cirúrgicas. Muitos agentes químicos dos processos de
manufatura podem estar envolvidos na resposta alérgica, mascarando assim o
verdadeiro agente alergênico, se ele está ou não presente na BN pura (COSTA et.
al. 2003).

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