A genotoxicidade é definida como a capacidade de agentes químicos em danificar o DNA de uma célula, causando mutações que podem levar ao desenvolvimento de algumas doenças como o câncer (AARDEMA et al., 2002). A avaliação da genotoxicidade é descrita dentro das normas ISO 10993-5, e é parte importante na avaliação da biocompatibilidade de um material, que pode não ser citotóxico, mas causar danos de DNA, que a longo prazo podem induzir as mutações (JHA et al., 2000).
Para avaliar a
genotoxicidade das membranas foi utilizado o teste do Cometa, que permite a
detecção de danos no DNA de uma célula. As células cultivadas que estiveram em
contato com a membrana por um período de 72h foram coletadas e submetidas ao
teste, que foi realizado sob condições alcalinas de acordo com um protocolo
previamente descrito (TICE et al., 2000), em que 5 µL de uma suspensão com
células foram misturadas a 120 µl de agarose baixo ponto de fusão 0,5%
(INVITROGEN, EUA) a temperatura de 37ºC e depositadas em lâminas de microscópio
convencionais, pré-revestidas com agarose com ponto de fusão normal 1,5% (INVITROGEN,
EUA). As lâminas foram colocadas em uma solução de lise recém-preparada (1% de
Triton X-100, 2,5 mM de NaCl, 0,1 mM de Na2EDTA, 10 mM de Tris com
dimethilsufoxido 10%, pH 10,0) por um período de dois dias. Após este período,
o material foi lavado em tampão PBS e colocado em uma cuba horizontal de
eletroforese (28 x 17,5 x 6,5 cm, TÉCNICA PERMATRON LTDA, Brasil) contendo
tampão alcalino (0,3 M de NaOH, 1 mM de Na2EDTA, pH> 13) a 4ºC durante 20
min. Usando o mesmo tampão, a eletroforese foi realizada a 25 V e 300 mA
durante 20 min. Após a eletroforese, as lâminas foram lavadas duas vezes
durante 5 min em tampão de neutralização (0,4 M Tris-HCl, pH 7,5), e fixadas
durante 5 min em álcool absoluto, secas ao ar, e armazenadas à temperatura
ambiente.
As lâminas foram coradas com 50 µL de brometo de
etídio e imediatamente examinadas com uma ampliação de 400x em um microscópio de
fluorescência, ligada a um sistema de análise de imagem (Comet II; Perspective
Instruments, Suffolk, UK).
Lâminas
codificadas foram marcadas de forma cega e 50 nucleoídes foram aleatoriamente
analisados. A intensidade da cauda “ Tail intensity ” (quantidade de DNA na
cauda do cometa) e momento da cauda “ Tail moment ” (produto da densidade de
DNA na cauda e a distância média de migração de DNA na cauda) foram usados para
medir a extensão de danos no DNA. Imagens de cometa com uma aparência
"nublada" ou com uma cabeça muito pequena e cauda como um balão foram
excluídos da análise (HARTMANN et al., 1997). A Figura 7 apresenta imagens do
cometa obtidas durante a realização do teste de genototoxicidade.
* Extraído de "Estudos Sistemáticos de Biocompatibilidade e Potencial Osteogênico de Membranas Bioativas em Coelhos Machos", Tese de Juliana Ferreira Floriano, 2013.

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