Selante de fibrina

 O selante de fibrina (SF) é uma espécie de cola biológica oriunda de veneno de serpente, que foi desenvolvido pelo Centro Virtual de Toxinologia – CEVAP (UNESP campus Lageado, Botucatu/SP), em 1989, com objetivo principal de criar um selante de fibrina sem componentes derivados do sangue humano. Um selante cujo fibrinogênio fosse derivado de animais de grande porte e a giroxina derivada do veneno de cascavel, substituindo a trombina bovina.  Este novo produto desenvolvido mostrou-se biocompatível, biodegradável e com as características de: não conter sangue humano, não apresentar reações adversas, ter uma boa capacidade adesiva, não transmitir doenças infecciosas, podendo ser usado como coadjuvante para suturas convencionais (BARROS et al., 2009).


Segundo Rahal (2005), o SF apresentou resultados promissores em estudos para enxerto de pele em cães, onde foi observado um menor tempo de cicatrização quando comparado a sutura convencional. Histologicamente foi verificado que o selante apresentou uma rápida cicatrização com menor formação de hematoma, provavelmente devido às suas características hemostáticas. O uso de SF mostrou-se muito eficiente, diminuindo tempo cirúrgico.

Em estudos de reparação de tendões em cães, Ferraro et al. (2005), obtiveram resultados satisfatórios utilizando SF, sendo que o selante não promoveu uma adesão excessiva, inibindo uma inflamação ao sétimo dia pós operatório, facilitando a maturação da cicatrização do tendão. A superfície dos tendões não devem apresentar áreas de irregularidade durante sua cicatrização para manter a funcionalidade da estrutura e esta foi motivação para o uso do SF neste tipo de estudo que obteve grande sucesso.

Thomazini et al. (2007) testaram o SF em nervos de ratos wistar, observando excelentes resultados, semelhantes aos obtidos em experimentos realizados com selantes comerciais, onde foi verificado que o SF permitiu adesividade adequada e regeneração tecidual.

Foram desenvolvidos estudos com SF também na área de oftalmologia em cães, onde adesivos têm sido estudados para síntese sem a formação de tecido de granulação. Outros adesivos utilizados neste tipo de estudo como a cianoacrilato, e resina epóxi, causaram irritação no tecido ocular.  O tratamento com SF, neste tipo de aplicação foi eficaz, acelerando a reparação tecidual e evitando a formação de edema no olho do cão (SAMPAIO, 2007).

Na periodontia, o SF foi utilizado para fixar enxertos gengivais, sem a necessidade de suturas. Quinze pacientes que necessitavam de enxertos bilateralmente foram operados. Os resultados foram obtidos por meio de resposta subjetivas dos pacientes, sondagem e fotografias. Os resultados da sondagem foram melhores no grupo que utilizou o SF, e os pacientes relataram melhor pós operatorio, bem como o cirurgão observou um ganho de tempo na utilização do mesmo durante o procedimento, e também melhora hemostasia.  Além disso, observou menor retração pós operatoria do enxerto (BARBOSA, 2007).

            Barbosa (2008) devenvolveu uma pesquisa semelhante, mas com análise histológica em humanos após a utilização do SF. Após o período de pós operatório, os pacientes tratados foram biopsiados. Histologicamente o grupo testado mostrou uma maior migração de fibroblastos e maturação tecidual mais rápida. O pesquisador concluiu que o SF possivelmente promove a maturação do enxerto gengival.

            A partir dos excelentes resultados obtidos por meio da utilização do SF na reparação tecidual, melhora na cicatrização e adesividade, selecionamos este material para utilizarmos como substituto ao cianoacrilato, comumente utilizado neste tipo de pesquisa, devido ao fato deste material causar aquecimento local durante sua polimerização. Este aquecimento local pode causar morte celular nas bordas do defeito afetando a regeneração óssea.


* Extraído de "Estudos Sistemáticos de Biocompatibilidade e Potencial Osteogênico de Membranas Bioativas em Coelhos Machos", Tese de Juliana Ferreira Floriano, 2013.

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