Para a avaliação da bioatividade, foram utilizados 24 coelhos adultos, machos da raça Nova Zelândia, que foram distribuídos de forma aleatória em 2 grupos (60 e 90 dias). Os animais foram tratados de acordo com os Princípios Éticos na Pesquisa Animal adotados pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (COBEA). A utilização dos animais nesta pesquisa seguiu todas as normas éticas vigentes, e foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho – UNESP, São Paulo em 11 de janeiro de 2009, sob o número 2612/46/01/08.
Para realização dos procedimentos
cirúrgicos os animais foram tranqüilizados com acepromazina (0,1mg kg-1) e
butorfanol (0,1mg kg-1) aplicados por via intravenosa e, 15 minutos após,
anestesiados com a associação de tiletamina-zolazepam (10 mg kg-1) e xilazina
(0.5 mg kg-1) por via intramuscular.
Após a tricotomia da região do osso frontal os coelhos
foram posicionados em decúbito ventral e foi realizada a anti-sepsia da área
cirúrgica com iodopovidona e solução fisiológica. Com os panos de campo
operatório dispostos foi efetuada uma incisão de pele e tecido subcutâneo,
estendendo-se na linha média da protuberância externa do occipital até a altura
dos olhos. Os músculos: frontal, interescutular e occipital foram incisados na
linha média e afastados com rugina, e retraídos para expor o periósteo do osso
parietal.
Foi então criado um defeito crítico circular de
aproximadamente 2 cm de diametro com o
uso de trefina de 1 cm de diâmetro, acionada por um micromotor cirúrgico, e
abundante irrigação com solução salina 0,9 %. Foram realizadas duas
perfuracoes, que foram unidas com o auxílio de um alveolótomo formando um
defeito único, todo o procedimento foi realizado de maneira cautelosa com a
finalidade de não danificar a membrana dura-máter. O osso cortical e esponjoso
foi removido, expondo a membrana meníngea, como pode ser verificado na Figura
10.
Nos coelhos dos grupos em que as membranas de BN dos 2 clones testados foram implantadas, o defeito foi preenchido com um fragmento de membrana medindo cerca de 2cm. Sobre esta membrana e também na borda do defeito foi depositado cerca de 1ml do selante de fibrina para a fixação do segundo fragmento da membrana, que foi colocado de modo a recobrir todo o defeito criado, como pode ser visto na Figura 11.
No grupo controle
negativo, o defeito foi preenchido por coágulo de fibrina. O coágulo fornece
um arcabouço para os neutrófilos, monócitos, fibroblastos e células
endoteliais, bem como concentra citocinas e fatores de crescimento, permitindo
a formação de tecido de granulação, com novos vasos sanguíneos, colágeno e
algumas células como fibroblastos e macrófagos. Após ocorrer a diferenciação
celular e a maturação da matriz, forma-se o calo ósseo, que é composto de
elementos vasculares, cartilagenosos e celulares que serão substituídos por
osso e restabelecerá a forma e função (MARTINS et al., 2010).
Por outro lado, no grupo controle
positivo o defeito foi preenchido com membranas de PTFE, seguindo o esquema do
grupo tratado com membranas de BN. O uso deste material como controle positivo é
bem aceito e utilizado em muitos estudos de regeneração óssea (BARBER et
al., 2007).
GARG et al, (2004) relataram que algumas membranas de PTFE possuem vantagens,
quando exposta à cavidade oral, não comprometendo o processo de regeneração
óssea.
O periósteo e os músculos afastados foram aproximados com
uma sutura contínua simples, o tecido subcutâneo com uma sutura invaginante e a
pele com pontos isolados simples. Os fios utilizados foram o náilon 3-0 e o
náilon 4-0.
Antes da indução anestésica e 24 horas após o
procedimento cirúrgico foi administrada enrofloxacina na dose de 5 mg/kg por
via intramuscular. Flunixina meglumina (1mg/kg) foi aplicada por via subcutânea
(1mg/kg) a cada 24 horas no pós-operatório imediato e por mais três dias. As
feridas cirúrgicas foram tratadas com iodopovidine e os pontos cutâneos foram
removidos no 10º dia de pós-operatório.
Os animais permaneceram com os implantes pelos períodos
de 60 e 90 dias. Durante o experimento, os animais foram submetidos a exames de
Raios X (RX) no equipamento OPTIMA XR 220AMX (marca GE, Brasil), a posição
utilizada nas peças coletadas foi antero para posterior (AP) e nos animais
sedados a posição utilizada foi perfil. Os exames de RX foram relizados em 3 períodos:
30, 60 e 90 dias após os implantes. As Tomografias computadorizadas (TC) foram
realizadas no equipamento Shimadzu, Brasil, modelo SCT-7000, sendo que os
cortes foram feitos a cada 1mm, com tempo de 1 segundo (1:1), utilizando um
potencial de 120 KV e corrente elétrica de 50 mA. As TCs foram realizadas para
avaliar o crescimento e densidade do osso neoformado. Após o período descrito,
os animais foram eutanasiados com pentobarbital (>100mg/kg por via intravenosa), após serem anestesiados com
quetamina e xilazina.

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